Mudborne é um simulador de sapos mais complexo do que parece

Eu só tomei conhecimento da existência de Mudborne: Simulador de Gerenciamento de Sapos durante a transmissão Future Games Show, no final de março, literalmente no dia em que o jogo da Future Game Friends estava sendo lançado no Steam. A publisher foi muito simpática e me enviou uma cópia do jogo, que parecia um ‘cozy game’ simpático sobre uma criação de sapinhos. Depois de umas boas horas jogando, posso dizer que Mudborne é um simulador de sapos mais complexo do que parece.

O jogo é mais do que um simulador de sapos, no sentido de que não é simplesmente sobre criar bichinhos e cuidar deles, como um tamagotchi de anfíbios esverdeados, para começo de conversa. Sim, você toma conta dos sapinhos, para que eles cresçam e gerem mais sapos, inclusive descobrindo novas variantes. Mas o jogo tem muitos elementos de quebra-cabeça, que tornam a experiência menos direta e mais complexa.

Antes de continuar, assista ao trailer de Mudborne:

O personagem do jogador é um garoto sapo que, após acordar de uma longa hibernação, encontra seu lago abandonado. Além de colocar a casa em ordem e aprender a cuidar dos bichinhos, você tem como missão criar a chave genética certa para desbloquear outras lagoas, em uma história bem interessante que se desenvolve por cerca de 30 horas. E põe história nisso: são mais de 35 mil palavras, tudo localizado em português do Brasil.

Simulador de Sapos

Criar sapinhos envolve uma série de tarefas e diferentes mecânicas de jogo, explicadas em um período bem longo de tutorial. Coleta de recursos, uso de ferramentas, construção e, eventualmente, cruzamento de sapos e modificações no código genético dos anfíbios. Dependendo do quanto você se envolver, não vai demorar para começar a fazer anotações sobre quais cogumelos funcionam com cada espécie de sapo para chegar nas combinações genéticas corretas.

Por causa desse lado mais ‘quebra-cabeça’, o simulador de sapos acaba sendo menos relaxante do que outros ‘cozy games’, mesmo que o visual pixelado bonitinho e o clima de joguinho de gerenciamento descontraído passem essa impressão inicial. Não diria que isso é algo ruim, gosto quando o jogo subverte a expectativa, principalmente quando isso é bem feito – o que é o caso do nosso simpático simulador.

O simulador de sapos Mudborne tem um carismático visual em pixel art
O visual ao estilo pixel art é um dos charmes de Mudborne

O que falta em Mudborne, para mim, são mais opções de interação com os sapinhos que você cria. Aqueles que têm as chaves genéticas corretas seguem sendo utilizados para futuros cruzamentos em busca de novas variações, mas aqueles que saíram com as combinações erradas, voltam para a natureza e é isso. Ficam por ali, sem nenhuma atividade que possa ser executada com eles. Seria legal ter mais opções do que fazer com essa população, o que certamente aumentaria a vida útil do jogo.

Mudborne está disponível para PC, via Steam, e eu joguei tanto no desktop quanto no Steam Deck, minha plataforma preferida para jogos de computador. Por um lado, a performance do jogo no portátil da Valve é muito boa, com taxa de quadros estável em 60 quadros por segundo e exigindo pouco da bateria (dá para jogar por umas 8 horas direto no Steam Deck OLED). Mas os controles, por sua vez, são um tanto confusos num primeiro momento, nada que uma atualização não corrija.

Puzzles complexos

Se você gosta de jogos em pixel art, ideias inusitadas e, principalmente, de quebra-cabeças, Mudborne é uma boa pedida para passar o tempo – mas não necessariamente se você só quer relaxar com um joguinho confortável. O jogo conta com opções de acessibilidade que facilitam a experiência, se estiver se sentindo encalhado na sua progressão, como por exemplo, mostrar quais são os cogumelos certos para uma determinada espécie para que você foque apenas em encontrar os sapinhos que precisa.

Por enquanto, Mudborne está disponível apenas para PC. Esta análise foi feita com  uma key do jogo gentilmente cedida pela Future Friends Games.

Pablo Raphael produz conteúdo sobre jogos e cultura nerd/geek desde quando isso não era tão legal assim. Fã de RPG de mesa, live games, quadrinhos independentes e cerveja artesanal.

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